finalmente encontrei as peças que faltavam do seu quebra-cabeça
você as escondia de mim fechando as portas por onde eu tentava passar
meu olhar sempre soube que você não me via, me fitando assim, como quem pede para não perguntar
por favor não se esqueça
Você pediu para não deixar a porta aberta, poderiam entrar meus erros, seus segredos...
que segredos? eu sei quais.
as peças do seu quebra-cabeça formaram a única imagem que eu tantas vezes vi em sonhos
que eu tantas vezes te pedi para jamais tornar realidade
"jamais me deixe ser tapa-buraco no seu peito" você fez exatamente isso.
sua leviandade, sua falsa lealdade
eu deveria saber, que de onde sai uma mentira, jamais sairão verdades...
Um chá de Camomila Uma bico de pena e um caderno em branco...
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Hoje serão duas coisas. uma verdade e um poema.
a verdade: As pessoas ACHAM que entendem as coisas, mas as camadas são infinitas e ler não é Ler.
o poema:
Cansei de pedros e filipes,
quero Bs, Rs e Ls,
quero tudo que a vida pode me oferecer
Sei que sou muito mais do que eu posso ser
quero o presente como um diamante
quero o passado como um conhecido meu
sou a pedra bruta, jóia rara da montanha
sou uma areia dourada no deserto
e masmo que tudo seja muito estranho
é uma troca e o que eu colho eu mesma planto.
e se um dia eu achar que sofro
tenho esse poema e comigo eu me resolvo.
e se meus olhos se incomodam com o que eu vejo,
e se no meu coração brota o desespero
eu choro e grito e tenho esse poema
que é meu comigo e tudo que é amigo
é o que é bom.
em cada gota das minhas lágrimas reside gente de sangue e pão.
a verdade: As pessoas ACHAM que entendem as coisas, mas as camadas são infinitas e ler não é Ler.
o poema:
Cansei de pedros e filipes,
quero Bs, Rs e Ls,
quero tudo que a vida pode me oferecer
Sei que sou muito mais do que eu posso ser
quero o presente como um diamante
quero o passado como um conhecido meu
sou a pedra bruta, jóia rara da montanha
sou uma areia dourada no deserto
e masmo que tudo seja muito estranho
é uma troca e o que eu colho eu mesma planto.
e se um dia eu achar que sofro
tenho esse poema e comigo eu me resolvo.
e se meus olhos se incomodam com o que eu vejo,
e se no meu coração brota o desespero
eu choro e grito e tenho esse poema
que é meu comigo e tudo que é amigo
é o que é bom.
em cada gota das minhas lágrimas reside gente de sangue e pão.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Era uma vez, um castelo todo castanho e branco, tinha duas torres, um saguão, uma entrada de arco ogival com duas portas que se abriam para dentro. Lá vivia uma anfitriã muito jovem, que perambulava sozinha pela casa, carregando um leve molho de finas chaves douradas no pescoço, chaves estas que davam acesso a todos os cômodos do castelo.
Os dias transcorriam calmamente... Pela manhã ela saía para comer na vila comum; alias, o castelo se localizava em uma região inóspita, cercado de longos planaltos e vegetação pobre, o horizonte se estendia a cada passo e um riozinho de nascente desconhecida cortava a pequena vilazinha por onde funcionava um comércio modesto e as pessoas apareciam literalmente, como mágica para reabastecer suas dispensas, beber, conversar e por vezes, trocar presentes. Claro, todas aquelas pessoas conheciam a jovem anfitriã, que morava lá desde sempre, apesar de muito jovem. Ela julgava a todos como viajantes, algumas vezes, das janelas do saguão, passava tardes se deliciando com as histórias dos amigos que passavam para vê-la, Outras vezes se recolhia para uma longa biblioteca e despendia horas a fio simplesmente relendo suas histórias, histórias de outros, vendo fotos de álbuns seus e de seus conhecidos, desconhecidos e ex-conhecidos.
Por ocasião, houve de passar pela vila um ou dois viajantes que se atreveram a bater na porta, isso era coisa muito rara; aqui vale fazer um comentário simples, aqueles que desde sempre estiveram com a moça dessa história não batiam na porta, ficavam no saguão, saiam sem cerimônia e deixavam suas coisas nos quartos que ela dera para eles. Mas quando alguém batia a porta a tal moça meio que tremia, o coração palpitava, ela se adiantava ao espelho e checava o impecável estado de seu sorriso hospitaleiro, as cores de suas roupas e de seu batom e, esperando pra ver se repetiriam o chamado, se prostrava insegura diante das portas do saguão, com a mão direita na maçaneta esquerda de uma das portas, seus olhos percorriam o delicado arco branco e ela esperava e esperava... Não sabiam como eram desconfortáveis esses momentos... Como desagradava a ela essa interrupção momentânea de privacidade... Daí que tocavam a campainha e ela, como se nunca tivesse se incomodado, abria a porta e conduzia o viajante até a sala de visitas.
Gostosas horas se passavam, eles comiam, conversavam e ela, sorridente como era de natureza, se achava no direito de oferecer os melhores doces e bebidas de que dispunha e fazia o viajante se demorar, contando histórias da sua vida e dos milhares de quartos que ela conhecia em seu castelo. Mas também era muito curiosa e pedia para ver o que o viajante trazia na mochila; já ocorrera de um desses mostrar coisas que assustaram uma anfitriã jovem como ela e com cuidado levou o viajante para a porta de saída e com o coração apertado pelo erro que cometeram os dois disse um "volte sempre" quase choroso, bateu a porta, catou os restos de comida deixados na sala de visitas, vagarosamente, como num ritual, e colocou na janela, para adubar as flores do parapeito.
O tempo passou e a jovem anfitriã passou a visitar seus cavalos e depois de algumas viagens ela voltou para casa, os dias começavam a adquirir a mesma paz de sempre.
Porém toda boa janela já se quebrou algum dia.
E novamente bateram a porta, sem muita cerimônia a anfitriã a abriu, analisou brevemente o novo viajante, tão jovem quanto ela, com um certo segredo no olhar, ela achou tão bonito, que seus olhos levassem montanhas, e ficou muito curiosa, com o que tinha além daquele castanho, cercado de verde, ofuscado por nuvens. Ela o atendeu a porta, já fazia tempo que tentava organizar as coisas que trouxera de viajem, mas tudo estava fora do lugar, e como boa anfitriã que era não podia deixar que um viajante com montanhas verdes nos olhos se perdesse naquela confusão em que ela estava.
Porém o viajante inspirava confiança, era como se jamais tivesse sido um forasteiro, e circulasse pela vila há tempos. Ela resolveu apostar na amizade do viajante e o recebeu em casa, deu água e uma cadeira, depois o levou para a sala de estar, eram como dois irmãos, não era muito difícil conviver com ele, ela acreditava que aquele visitante tinha tudo para demorar, para passar semanas se quisesse, e ela começou a se sentir capaz de levá-lo para conhecer os cômodos que ela estava habituada a passar o tempo, mas também acabou, se levando pela emoção de estar acompanhada de um viajante tão interessante, querendo mostrá-lo quartos em que não ia fazia tempo, onde havia coisas velhas jogadas pelo chão. Mas o viajante nada disse, e a anfitriã, jovem como era não esperava nada também, estava agindo arbitrariamente, com o seu único jeito afobado e amoroso.
Mesmo tudo acontecendo muito rápido, não parecia nada para a moça que fosse pouco hospitaleiro o jeito à-vontade com que ela o deixava sob seu teto, a moça se interessara muito em saber sobre as viagens desse hospede tão cheio de montanhas, queria organizar bem seu castelo para que tudo ficasse digno do estado de espírito em que se encontrava, todos aqueles quartos que a deixavam triste e preocupada ao passar por eles do corredor, pareciam menores, sem importância, se fechavam em livros desbotados na biblioteca.
Enquanto ela estava acostumada com longos planaltos e depressões, ele parecia apatriado, e seu castelo ele carregava nas costas, como um Atlas. Ela não se incomodava com as diferenças que os dois iam descobrindo terem, o interesse dela só aumentava cada vez mais e mais.
Porém, como todo conto de fadas sempre há um vilão, dentro desse enorme castelo haviam cômodos que nem mesmo a jovem anfitriã tivera a chance de explorar, essas portas andavam se abrindo sozinhas, de tão enferrujadas que já estavam as trancas, mas como a moça estava mais interessada em montar um quebra cabeça na biblioteca com seu novo amigo, ela não se importava com o vento nem com as trancas.
Um dia, seu amigo ficou quieto, o quebra cabeça estava incompleto, mas ele o olhava como se vice a figura perfeita diante dos seus olhos, a jovem o observava curiosa e tensa, dentro dela um tornado ia se formando, pois o viajante que trouxera o quebra cabeças, nunca hesitara tanto em jogar mais peças no carpete. A moça o levou até a vila, eles combinaram de se verem no dia seguinte, para ela, o que havia de montado na biblioteca só lhe dava uma pista sobre o que atormentava esse amigo tão recente e tão querido, mas ela também sabia que tinha aberto sua porta para um forasteiro e não queria de forma alguma mandá-lo embora.
Então ela fez algo muito muito indecoroso para uma anfitriã boa como ela queria ser, pegou a chave mestra que carregava na meia da botinha e entregou ao viajante, com isso ela queria se provar digna de ajudá-lo a achar qualquer coisa que fosse que os fizessem mais próximos ainda, e assim pudessem viajar por ai, pois na verdade, o que ela queria mesmo, era ver a casa do viajante, ela realmente acreditou que completar o quebra cabeça dissiparia aquela desconfiança.
Ela achava que entendendo o mundo que se escondia por traz das montanhas ela poderia chegar até lá ou mesmo mantê-lo por mais tempo com ela. Mas não era isso que o viajante queria, como um lobo que uiva para a lua, ele não estava buscando nem um tipo de compreensão nem de companhia, ele queria voltar para seu mundo distante.
E... No dia seguinte o viajante se despediu e foi embora, não deixou carta nem poesia. A anfitriã olhou todo o saguão recém arrumado e viu sua imagem sozinha refletida no azulejo, sentiu um desespero tão grande, uma vontade de gritar, mas sabia que por mais que o fizesse, o viajante já partira montado num cavalo, cavalos correm mais do que pessoas. Ela sentia seu rosto quente e seu castelo vazio, e passou uma semana inteira, perambulando pelos quartos, checando todos os moveis, tentando lembrar-se de todos os livros, pois sentia que de lá ele levara algo, mas como lhe dera a chave mestra, poderia ser algo de um quarto desconhecido e ela jamais reconheceria a falta daquilo que ele levou. Ela voltou à biblioteca, viu as paredes desbotarem e a tinta escorrer, entendeu que a biblioteca era o local de lembranças, segredos e sonhos e também viu que as peças do quebra-cabeça que ele deixara, por mais sentido que fizessem agora, estavam desaparecendo entre tanta tinta. Ela se deitou no carpete, deixou o vestido se esparramar sobre o chão e escreveu longas cartas, encheu as paredes de quadros, para tentar segurar por mais tempo aquela história real que parecia um conto de fadas, mas como no castelo, nada dura para sempre, ela voltou à janela do saguão e entre soluços e sorrisos, continuou a cumprimentar os transeuntes.
Os dias transcorriam calmamente... Pela manhã ela saía para comer na vila comum; alias, o castelo se localizava em uma região inóspita, cercado de longos planaltos e vegetação pobre, o horizonte se estendia a cada passo e um riozinho de nascente desconhecida cortava a pequena vilazinha por onde funcionava um comércio modesto e as pessoas apareciam literalmente, como mágica para reabastecer suas dispensas, beber, conversar e por vezes, trocar presentes. Claro, todas aquelas pessoas conheciam a jovem anfitriã, que morava lá desde sempre, apesar de muito jovem. Ela julgava a todos como viajantes, algumas vezes, das janelas do saguão, passava tardes se deliciando com as histórias dos amigos que passavam para vê-la, Outras vezes se recolhia para uma longa biblioteca e despendia horas a fio simplesmente relendo suas histórias, histórias de outros, vendo fotos de álbuns seus e de seus conhecidos, desconhecidos e ex-conhecidos.
Por ocasião, houve de passar pela vila um ou dois viajantes que se atreveram a bater na porta, isso era coisa muito rara; aqui vale fazer um comentário simples, aqueles que desde sempre estiveram com a moça dessa história não batiam na porta, ficavam no saguão, saiam sem cerimônia e deixavam suas coisas nos quartos que ela dera para eles. Mas quando alguém batia a porta a tal moça meio que tremia, o coração palpitava, ela se adiantava ao espelho e checava o impecável estado de seu sorriso hospitaleiro, as cores de suas roupas e de seu batom e, esperando pra ver se repetiriam o chamado, se prostrava insegura diante das portas do saguão, com a mão direita na maçaneta esquerda de uma das portas, seus olhos percorriam o delicado arco branco e ela esperava e esperava... Não sabiam como eram desconfortáveis esses momentos... Como desagradava a ela essa interrupção momentânea de privacidade... Daí que tocavam a campainha e ela, como se nunca tivesse se incomodado, abria a porta e conduzia o viajante até a sala de visitas.
Gostosas horas se passavam, eles comiam, conversavam e ela, sorridente como era de natureza, se achava no direito de oferecer os melhores doces e bebidas de que dispunha e fazia o viajante se demorar, contando histórias da sua vida e dos milhares de quartos que ela conhecia em seu castelo. Mas também era muito curiosa e pedia para ver o que o viajante trazia na mochila; já ocorrera de um desses mostrar coisas que assustaram uma anfitriã jovem como ela e com cuidado levou o viajante para a porta de saída e com o coração apertado pelo erro que cometeram os dois disse um "volte sempre" quase choroso, bateu a porta, catou os restos de comida deixados na sala de visitas, vagarosamente, como num ritual, e colocou na janela, para adubar as flores do parapeito.
O tempo passou e a jovem anfitriã passou a visitar seus cavalos e depois de algumas viagens ela voltou para casa, os dias começavam a adquirir a mesma paz de sempre.
Porém toda boa janela já se quebrou algum dia.
E novamente bateram a porta, sem muita cerimônia a anfitriã a abriu, analisou brevemente o novo viajante, tão jovem quanto ela, com um certo segredo no olhar, ela achou tão bonito, que seus olhos levassem montanhas, e ficou muito curiosa, com o que tinha além daquele castanho, cercado de verde, ofuscado por nuvens. Ela o atendeu a porta, já fazia tempo que tentava organizar as coisas que trouxera de viajem, mas tudo estava fora do lugar, e como boa anfitriã que era não podia deixar que um viajante com montanhas verdes nos olhos se perdesse naquela confusão em que ela estava.
Porém o viajante inspirava confiança, era como se jamais tivesse sido um forasteiro, e circulasse pela vila há tempos. Ela resolveu apostar na amizade do viajante e o recebeu em casa, deu água e uma cadeira, depois o levou para a sala de estar, eram como dois irmãos, não era muito difícil conviver com ele, ela acreditava que aquele visitante tinha tudo para demorar, para passar semanas se quisesse, e ela começou a se sentir capaz de levá-lo para conhecer os cômodos que ela estava habituada a passar o tempo, mas também acabou, se levando pela emoção de estar acompanhada de um viajante tão interessante, querendo mostrá-lo quartos em que não ia fazia tempo, onde havia coisas velhas jogadas pelo chão. Mas o viajante nada disse, e a anfitriã, jovem como era não esperava nada também, estava agindo arbitrariamente, com o seu único jeito afobado e amoroso.
Mesmo tudo acontecendo muito rápido, não parecia nada para a moça que fosse pouco hospitaleiro o jeito à-vontade com que ela o deixava sob seu teto, a moça se interessara muito em saber sobre as viagens desse hospede tão cheio de montanhas, queria organizar bem seu castelo para que tudo ficasse digno do estado de espírito em que se encontrava, todos aqueles quartos que a deixavam triste e preocupada ao passar por eles do corredor, pareciam menores, sem importância, se fechavam em livros desbotados na biblioteca.
Enquanto ela estava acostumada com longos planaltos e depressões, ele parecia apatriado, e seu castelo ele carregava nas costas, como um Atlas. Ela não se incomodava com as diferenças que os dois iam descobrindo terem, o interesse dela só aumentava cada vez mais e mais.
Porém, como todo conto de fadas sempre há um vilão, dentro desse enorme castelo haviam cômodos que nem mesmo a jovem anfitriã tivera a chance de explorar, essas portas andavam se abrindo sozinhas, de tão enferrujadas que já estavam as trancas, mas como a moça estava mais interessada em montar um quebra cabeça na biblioteca com seu novo amigo, ela não se importava com o vento nem com as trancas.
Um dia, seu amigo ficou quieto, o quebra cabeça estava incompleto, mas ele o olhava como se vice a figura perfeita diante dos seus olhos, a jovem o observava curiosa e tensa, dentro dela um tornado ia se formando, pois o viajante que trouxera o quebra cabeças, nunca hesitara tanto em jogar mais peças no carpete. A moça o levou até a vila, eles combinaram de se verem no dia seguinte, para ela, o que havia de montado na biblioteca só lhe dava uma pista sobre o que atormentava esse amigo tão recente e tão querido, mas ela também sabia que tinha aberto sua porta para um forasteiro e não queria de forma alguma mandá-lo embora.
Então ela fez algo muito muito indecoroso para uma anfitriã boa como ela queria ser, pegou a chave mestra que carregava na meia da botinha e entregou ao viajante, com isso ela queria se provar digna de ajudá-lo a achar qualquer coisa que fosse que os fizessem mais próximos ainda, e assim pudessem viajar por ai, pois na verdade, o que ela queria mesmo, era ver a casa do viajante, ela realmente acreditou que completar o quebra cabeça dissiparia aquela desconfiança.
Ela achava que entendendo o mundo que se escondia por traz das montanhas ela poderia chegar até lá ou mesmo mantê-lo por mais tempo com ela. Mas não era isso que o viajante queria, como um lobo que uiva para a lua, ele não estava buscando nem um tipo de compreensão nem de companhia, ele queria voltar para seu mundo distante.
E... No dia seguinte o viajante se despediu e foi embora, não deixou carta nem poesia. A anfitriã olhou todo o saguão recém arrumado e viu sua imagem sozinha refletida no azulejo, sentiu um desespero tão grande, uma vontade de gritar, mas sabia que por mais que o fizesse, o viajante já partira montado num cavalo, cavalos correm mais do que pessoas. Ela sentia seu rosto quente e seu castelo vazio, e passou uma semana inteira, perambulando pelos quartos, checando todos os moveis, tentando lembrar-se de todos os livros, pois sentia que de lá ele levara algo, mas como lhe dera a chave mestra, poderia ser algo de um quarto desconhecido e ela jamais reconheceria a falta daquilo que ele levou. Ela voltou à biblioteca, viu as paredes desbotarem e a tinta escorrer, entendeu que a biblioteca era o local de lembranças, segredos e sonhos e também viu que as peças do quebra-cabeça que ele deixara, por mais sentido que fizessem agora, estavam desaparecendo entre tanta tinta. Ela se deitou no carpete, deixou o vestido se esparramar sobre o chão e escreveu longas cartas, encheu as paredes de quadros, para tentar segurar por mais tempo aquela história real que parecia um conto de fadas, mas como no castelo, nada dura para sempre, ela voltou à janela do saguão e entre soluços e sorrisos, continuou a cumprimentar os transeuntes.
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